Ciência das redes e redes de pequeno mundo

Na terça feira, dia 19/10, às 18h30 nos encontramos para falar sobre a ciência das redes. As vagas serão limitadas - Inscrições aqui: https://bit.ly/cienciadasredes


As pessoas estão o tempo todo olhando para as suas conexões sociais para entender o mundo. E mais, os aspectos mais variados das nossas vidas são influenciados pelas nossas redes.

“Nossas conexões afetam todos os aspectos da nossa vida. Assassinatos, doação de órgãos, como nos sentimos, o que sabemos, com quem nos casamos, se adoecemos, quanto dinheiro ganhamos, em quem votamos - todos esses aspectos estão relacionados aos laços que nos ligam.” James H. Fowler


Quem tem medo do contágio social?


O psicólogo e pesquisador Irving L Janis criou o termo “pensamento de grupo” em 1971 para explicar o típico fenômeno de conformidade social que ele encontrou em diversos grupos.

“Existe uma série de indicações que apontam para o desenvolvimento de normas de grupo que reforçam comportamentos às custas do pensamento crítico. Uma das regras mais comuns é de que as pessoas se mantêm fiéis ao grupo mesmo quando suas políticas obviamente não funcionam e tem consequências negativas. Essa é a base do pensamento de grupo.” Irving L Janis

O autor James Surowiecki sugere que deveríamos evitar essa influência e nos tornarmos o mais independente possível para evitar a “loucura das multidões”. Mas será que esse é o melhor caminho para tomarmos melhores decisões? E mais, será que essa independência é possível?


A ciência das redes parte do princípio que para entender o comportamento de grupos, não deveríamos olhar para as os indivíduos, e sim para suas conexões - e é a qualidade dessas conexões vai indicar se uma multidão se torna mais ou menos inteligente.


Como o contágio funciona?


A maioria das ideias não se propagam tão rápido. Para várias crenças e comportamentos você precisa ser exposto ao contágio mais de uma vez para ser “infectado”.


Os cientistas dão o nome de contágio complexo a qualquer coisa que precise de mais de uma exposição para se disseminar.


O desafio é que as ideias que se propagam geralmente são aquelas que vencem a “guerra narrativa” - ideias falsas, mentirosas, absurdas, polarizadas se propagam mais fácil e mais rápido. Como as fake news que se espalham no mínimo 6x mais rápido que uma notícia verdadeira.

“As melhores ideias não são marquetizadas” Daniel Schmachtenberger

Você deve estar pensando “precisamos então simplificar as ideias complexas”. Ou talvez: “precisamos aumentar o número de conexões para que haja maior chance de ideias complexas se espalharem.”


Mas esse não parece ser o melhor caminho. Na verdade, os estudos demonstraram que mais conexões irão na verdade ajudar a propagar ideias simples, mas podem atrapalhar na propagação de ideias complexas.

  • poucas conexões e uma ideia não consegue se propagar

  • muitas conexões e entramos no pensamento de grupo

  • pequenos grupos conectados entre si propagam ideias complexas




Redes de pequeno mundo


O termo “redes de pequeno mundo” foi desenvolvido por Stanley Milgram após estudar uma diversidade de campos científicos e encontrar uma configuração de rede ótima nas quais as ligações e pontes criam unidade sem uniformidade e diversidade sem divisão.


Nesse formato de rede as pessoas têm conexões fortes com pequenos grupos, e ainda assim estão conectadas com outros grupos. O número de conexões entre grupos é chamado de capital social de ponte, e é fundamental para que os grupos saiam de uma visão de bolha limitada, aumentando sua colaboração e criatividade.


Concluindo: a inteligência está no sistema.

  • contágios: assim como os neurônios transmitem sinais no cérebro, pessoas transmitem crenças e comportamentos em uma sociedade. Mas não importa só a quantidade de conexões, mas também o formato dessas redes.

  • conexões: muitas conexões e ideias complexas não propagam. Conexões demais e ideias complexas são exterminadas no pensamento de grupo. O segredo é construir uma rede de pequeno mundo, a mistura ótima de ligações e pontes

Assim como o grafite e o diamante, em que ambos são feitos de carbono, mas tem valor completamente diferente por conta das ligações entre eles. Nós também mudamos de acordo com as nossas conexões, e mais ainda, com a forma como essas conexões acontecem.


Estamos cada vez mais interconectados em redes, mas a configuração dessas conexões está reduzindo e não aumentando nossa inteligência. Para aumentar a inteligência de um sistema, precisamos criar relações nas quais as ligações e pontes constroem redes de pequeno mundo. Sua comunidade se parece mais com um grafite ou com um diamante?



Fontes de conteúdo:

  • Esse conteúdo foi criado com base no jogo Sabedoria e/ou Loucura das Multidões?” - de Nicky Case.

  • Artigo Groupthink - pensamento de grupo - Irving L Janis

  • Artigo The Majority Illusion in Social Networks

  • Artigo Collaborative and Creativity - The small world problem

  • Artigo Collective Dynamics of "small world" networks