Não precisa ser acidente se pode ser design

Um resumo do encontro do dia 25/01 da Komuta


Ontem, dia 25/01, rolou o primeiro encontro do ano da Komuta, comunidade do Instituto Amuta. Esse texto surge do nosso desejo de incluir todos na conversa, mesmo os que não estavam presentes e, também, para nos ajudar a materializar a espiral de aprendizado que nasce dos nossos encontros.


Na primeira parte do texto vamos compartilhar os aprendizados que tivemos a partir do encontro, e na segunda parte compartilhamos a prática utilizada.


Aprendizados do encontro:

Vamos compartilhar aqui os principais pontos de aprendizados que se revelaram para nós a partir das conversas que tivemos ao longo do encontro:


Tempo, intencionalidade e pontos de contato

Criar relações profundas envolve: tempo, intencionalidade e pontos de contato. Um sem o outro pode ficar “meio capenga”.


  • Intenção sem pontos frequentes de contato não gera intimidade.

  • Pontos frequentes de contato sem intenção podem resultar em relações que nos drenam ao invés de energizar.

  • E a criação de afeto demanda tempo que precisa ser respeitado, não tem como apressar a construção de uma relação significativa.


Congruência como ponto de conexão

Muitos de nós, que estamos intencionalmente colocando energia para nutrir nossas relações, sentimos uma frustração, porque as pessoas à nossa volta não estão necessariamente tão dispostas como nós.


Às vezes o outro não está tão afim de se abrir e compartilhar sentimentos, ou de lidar com os conflitos de uma forma não violenta, ou simplesmente de investir tanto tempo nas relações. A verdade é que muita gente não está pensando de maneira intencional nas suas relações, e isso pode drenar a energia do designer de conexão.


Para lidar com isso, surgiu na conversa a importância de trazer congruência para as relações. Isso significa trazer abertamente suas intenções e necessidades sobre a relação.. Dizer coisas como “eu quero me conectar com você” ou “para mim é importante poder falar de forma profunda sobre meus sentimentos”, são exemplos de atitudes que nos colocam em um lugar de vulnerabilidade, mas que podem funcionar como uma porta para a conexão.


Foco nos caminhos não obstruídos:

Essa frase foi uma das pérolas do encontro (obrigada Luiz Sérgio e Tarik).


É muito comum não conseguirmos nos conectar com pessoas, mesmo elas sendo muito importantes para nós.


O problema é que às vezes tentamos fazer com que o outro queira se conectar da forma como a gente gostaria. Por exemplo, às vezes eu adoro conversas profundas e o outro não, e ao tentar me conectar com o outro a partir desse lugar fico batendo cabeça porque nossa relação nunca flui nesse lugar. Outras vezes tentamos nos adaptar ao jeito do outro. Pode ser que a pessoa adore sair para correr e embora eu odeie, sempre vou correr porque quero me conectar com ele. Mas essa interação dificilmente será saudável e sustentável.


A pergunta poderosa é: quais os caminhos não estão obstruídos? Onde está livre para ir?


Conheço uma pessoa que descobriu que sair para caminhar com a mãe é a melhor forma de se conectar com ela, pois é um momento que está a sós e ela se abre mais. Outra descobriu que ir para a natureza é o que a conecta com o pai. Outra que sabe que para se conectar com a irmã é cozinhar algo juntas.


A pergunta vale para atividades que nos conectam, mas também para formas de se conectar. Tem amigos que passo horas conversando assuntos profundos e filosóficos e outros que o papo não vai para esse lugar, mas me trazem momentos de alívio e brincadeira. Se quero me conectar, posso encontrar caminhos de fluidez para fortalecer a conexão.


Um convite para a prática


Caso você queira realizar a prática proposta no encontro, reunimos aqui o passo a passo e as referências para você experimentar.


A prática proposta funciona assim:

  • Escolha uma comunidade que você participe (família, amigos, trabalho…)

  • Liste 3 pessoas que fazem parte dessa comunidade

  • Utilize as 8 perguntas propostas para avaliar a saúde de cada uma dessas relações (4 delas sobre autonomia e 4 sobre intimidade).

  • Após a avaliação, faça uma média da nota de intimidade e autonomia de cada uma dessas relações e insira na matriz. (aqui na planilha você consegue visualizar um exemplo - explore as duas abas)

  • Observe a sua matriz e tente notar como as dinâmicas dessa relação estão se desenvolvendo. Mais importante que avaliar sua relação com uma pessoa, veja como um retrato da comunidade.


Essa é uma prática que tem como base a visão de relacionamentos interdependentes, como um equilíbrio entre autonomia e intimidade e a prática tem como base o nosso aprofundamento na teoria do apego, exposta nesse texto. Para aprofundar clique aqui.


A ideia dessa prática não é se fechar em notas ou em um diagnóstico objetivo para algo que é inerentemente subjetivo, mas gerar reflexões, tais como:

  • Qual o principal desafio você observa nessas relações?

  • O que está funcionando nessas relações?

A partir dessa reflexão, você pode identificar acordos, rituais, experiências, conversas importantes, ou qualquer ação que possa favorecer a evolução das relações dentro dessa comunidade.


Um ritual simples que emergiu durante as conversas foi o “Report de Sexta”, que se adequa facilmente ao mundo digital. Você pode enviar, por exemplo, num grupo de amigos no whatsapp uma mensagem contando como foi a sua semana e compartilhando como você se sente. Se uma pessoa se propõe a fazer isso e convida uma próxima já é possível abrir espaço para conversas significativas.


Foi um encontro muito leve e, ao mesmo tempo, bastante profundo. Saímos com a sensação de que usamos bem o nosso tempo e experimentamos de maneira intencional esse ponto de conexão para fortalecer as relações e a intimidade da nossa Comunidade.


Foi uma abertura de 2022 com chave de ouro! Que venham os próximos!


(inclusive, vem coisa boa por aí, para dar um passo ainda mais profundo nas suas relações, se inscreva para participar gratuitamente na MISSÃO AMUTA clicando aqui)