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Um encontro marcado com a memória: como foi a última Faísca

Atualizado: 21 de jun.

No mês de junho realizamos a oitava edição da Faísca, uma experiência que combina performance, música, dança, teatro, instalações e convites de conexão. Idealizada pelo Instituto Amuta em 2022, logo após a pandemia, a Faísca nasce do nosso desejo de criar as experiências que queremos viver após tanto tempo de isolamento social. 


Quais experiências, artísticas ou não, são pensadas para que a gente crie conexões, conheça novas pessoas e aprofunde relações? Queremos nos conectar, mas o design das festas, restaurantes, museus, shows não é pensado para isso. É por isso que criamos experiências nas quais a conexão não é deixada ao acaso, é pensada e materializada em todo o design.  


“Em um tempo de pouca intimidade, crise de imaginação e esgarçamento das relações, a Faísca é uma experiência de regeneração dos tecidos mais do que sociais, afetivos”, relatou Tânia Savaget, participante dessa edição.

A Faísca se assemelha ao movimento dos Happenings, criados no final dos anos 1950 por Allan Kaprow, no qual diferentes elementos de interação e cenografia são combinados para criar uma experiência imersiva na qual mesmo que sem perceber as participantes se tornam também personagens e parte do enredo. 


A cada edição a Faísca traz um novo tema, conectado com o espírito do tempo e que nos transporta a um universo alternativo onde podemos sentir, refletir e vivenciar aquela temática por algumas horas. Dessa vez o tema escolhido foi Um encontro marcado com a memória. 


A Faísca é uma experiência imersiva na qual tudo é desenhado com um propósito de movimentar afetos e criar conexões. Desde o convite até a extensão da experiência, as participantes são conduzidas ao encontro prazeroso ou doloroso com a sua memória. Para Daniela Cais, a Faísca é um ACONTECIMENTO


“Participei, no dia 8/6, pela terceira vez deste evento e considero que seja das experiências mais incríveis que já vivi. Digo que é um ACONTECIMENTO porque cada Faísca é uma experiência única, difícil de descrever, por não se enquadrar como uma reedição ou reformulação. Para mim, é uma experiência viva, que me faz sentir viva e que traz à superfície as emoções mais gostosas de reconhecer, sentir e compartilhar. E, ao mesmo tempo que provoca a intuição e os instintos, dimensiona o poder intencional do afeto, do cuidado, da disposição dos detalhes que se mostram essenciais.”

O desenrolar da experiência


Logo na entrada as pessoas já são recebidas com uma primeira performance. Viagens no tempo, nossa performance de abertura, foi desenhada para conduzir as pessoas a uma memória que ocorreu em um tempo específico indicado por uma data escolhida com um pouco de aleatoriedade e um pouco de magia, carimbada no braço de cada participante. Mas para viver o encontro com a memória era preciso encontrar uma pessoa que não se conhece ou conhece pouco, uma experiência capaz de promover conexões inesperadas - entre as participantes, e também com o tema central 


A Faísca se desenrola como um evento social - música, bebida, comidinhas, conversas. Mas a experiência se revela em cada detalhe - aqui nada é acaso, e cada pessoa vive de forma única, guiada pela sua curiosidade e por convites que podem ou não ser feitos a cada participante. A cenografia, os convites sutis espalhados pelo espaço, as experiências estéticas e sonoras, tudo desenhado para mobilizar afetos e causar a sensação de estar adentrando de fato o espaço da memória. 



Aos poucos algumas ações vão acontecendo. Uma pessoa poderia ser convidada a um Encontro às cegas em uma sala que as transportava ao Brasil dos anos 1970, outra poderia ser convidada ao Altar de Memórias e se conectar com memórias afetivas de outras participantes a partir da música, outras poderiam ser conduzidas a usar o oráculo do Instituto Amuta para vivenciarem coletivamente uma memória que tanto queriam esquecer, Era possível também interagir com as artistas e eternizar memórias em uma longa capa da deusa Mnemosyne ou a arquivar aquelas memórias que tanto se quer esquecer. 


A mudança de iluminação do espaço e as batidas do coração sinalizavam que algo estava para acontecer - uma performance artística que incluía música, poesia e dança, feita para esse público e nesse lugar - uma performance da Faísca nunca é repetida exatamente da mesma forma. 


Um áudio de cartas memoráveis, os conflitos de uma personagem que se recusa a lembrar, a dissonância cognitiva promovida pelas redes sociais que afeta nossa capacidade de permanecer, o apagamento das nossas memórias, a efemeridade das coisas, a aniquilação do “eu” e do “nós” pela falta que se faz ao não lembrar. O primeiro ato termina como um espaço aberto, para que os afetos mobilizados e as interpretações fluam em conexões e conversas que acontecem facilmente nesse espaço criado para ser um facilitador de conexões. 


Entre o primeiro e o segundo ato a experiência sonora muda na intenção de despertar lembranças, e quando menos se espera um segundo ato artístico entra em cena para ajudar a amarrar e dar forma ao que se viveu ali. Na Faísca todas as pessoas chegam e vão embora juntas, a experiência termina com um ritual coletivo e um token, um artefato físico que as pessoas levam com elas para manter vivo aquilo que não se quer esquecer.



Assim foi a oitava edição da faísca, experiência que acontece só duas vezes ao ano em São Paulo e teve seus ingressos esgotados quase uma semana antes do evento.  Essa é uma experiência para poucas pessoas. Para saber das próximas em primeira mão, entre neste grupo do Whatsapp ou siga o @amuta_experiências no Instagram. 


Ficha técnica:

Direção criativa e artística: Marcelle Xavier

Produção e gestão do projeto: Brunna Martinatto

Experiências e performances protagonizados por Malú Lomando, Raíssa Kill, Sérgio Alves, Moara Souto, Maurício Assis, Luisa Martinatto, Barroso Eus, Arthur Alfaia e Marcelle Xavier. 

Fotos: Dicarvalh0

Vídeos: Rodarlen Rocha

Espaço: aaacaso.ooo



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