9 ideias para o resgate do amor

"Pretende-se que o amor seja o resultado de uma reação espontânea, emocional, em que você é tomado por um sentimento irresistível. Mas amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão, é um juízo, é uma promessa". Erich Fromm

Logo que comecei a pesquisar sobre amor, foi libertador para mim encontrar no trabalho do Erich Fromm a ideia de que o desafio não é encontrar um OBJETO apropriado para amar, e sim transformar a minha FORMA de amar.

A gente cresce achando que não tem nada a aprender sobre o amor, ou minimamente que não vale a pena investir em aprender algo que não vai nos dar dinheiro ou crescimento profissional. Mas pra mim o amor é uma escolha, e uma escolha que aumenta as nossas possibilidades. Se antes eu olhava para a minha caixa de ferramenta e eu só tinha um martelo, martelar era a única forma de interação possível. Hoje eu tenho chave de fenda, alicate, trena, fita isolante... O martelo ainda está lá, mas não está sozinho mais, o que amplia as minhas relações, e o que posso viver e alcançar juntos com as pessoas com quem me relaciono.

Reuni nesse post algumas ferramentas que coloquei na minha caixinha para resgatar o amor nas minhas relações. Cada uma delas poderia ser uma pequena tese com dados, casos e artefatos que já experimentei, mas tentei trazer de forma resumida alguns insights simples e transformadores para você.


1. Perguntar antes de inferir

Faz parte da condição humana e da maneira como estruturamos nosso pensamento criar hipóteses sobre as coisas que nos atravessam.


Escada da inferência é o nome de uma teoria criada a partir de uma pesquisa realizada pelo pesquisador comportamental Chris Argyris. Segundo sua observação, nós não captamos toda a informação que nos é disponível e sim aqueles mais aderentes aos nossos modelos mentais, adicionamos camadas de significado com base em nossas crenças pessoais, criamos pressupostos que se vividos como verdade sedimentam ainda mais as nossas crenças.


Para não escalar na escala de inferência precisamos ter consciência que vamos fazer uma série de suposições e julgamentos o tempo todo, e que podemos escolher tratar as nossas hipóteses como o que elas realmente são - apenas hipóteses.


A autora e mediadora de conflitos Liv Larsson sugere que quando manifestamos nossos julgamentos sobre o outro a quebra de conexão pode ser desastrosa, e recuperar novamente a confiança após um julgamento é desafiador. O que podemos fazer quando começarmos a subir a escada da inferência sobre o outro, é redirecionar essa energia para perguntas genuínas que permitam que o outro revele a sua verdade.


2. Abandonar o vício de procurar o culpado


Um vício da nossa sociedade punitiva é assumir que quando as coisas dão errado precisamos descobrir de quem foi a culpa. Ou minimamente quem contribuiu mais para o estrago. Ou pelo menos identificar onde estava o erro, afinal, acreditamos que é assim que não vamos errar novamente.


Aprender com os erros é realmente muito importante. Mas o que observo é que geralmente quando as coisas saíram do esperado foi por uma série de motivos interligados em uma rede de ações e reações em cadeia. Logo, bancar o detetive esmiuçando o passado costuma ser contraprodutivo pois é maneira reducionista de encarar a nossa realidade interdependente.


Vale mais a pena entender o que precisamos cuidar agora para restaurar a nossa conexão, e qual acordo sentimos que pode nos ajudar a partir de agora para evoluir nossa relação.


3. Criar uma aldeia para sustentar a relação


A psicoterapeuta Esther Perel aponta para o tamanho das nossas expectativas em relação a nossos parceiros amorosos hoje em dia, especialmente em relações monogâmicas. Mas mesmo em relações não amorosas, de mãe a melhores amigos, parece que estamos o tempo todo querendo ser tudo na vida do outro. Mas ser tudo na vida de alguém é um fardo pesado demais para se carregar.


Um dos grandes aprendizados que tive nos últimos tempos é não esperar que todas as minhas necessidades sejam cuidadas através de um único relacionamento. Às vezes eu preciso muito de ser ouvida, mas meu namorado não está com energia nesse momento. Que delícia é saber que eu tenho toda uma rede de pessoas que podem me ouvir, e que libertador é para ele saber que meu bem estar não depende dele!


Vale considerar também a importância de apoio que toda relação (amorosa ou não) precisa para se sustentar. Relacionamentos envolvem dificuldades naturais que envolvem a convivência e a intimidade com outro, e alegrias que são ampliadas quando são compartilhadas. É preciso uma aldeia para uma relação se sustentar e crescer de maneira saudável.


4. Encontrar fontes de conexão


Para mim uma das habilidades mais poderosas a serviço das relações é a de criar espaços e ações intencionalmente pensados para se conectar com outras pessoas. Parece bobo, mas muita gente não sabe o que fazer para criar oportunidades de conexão progressiva com as pessoas com quem se relacionam, e que diferentes pessoas tem diferentes fontes de conexão.


O que nos dá prazer juntos? Essa é uma pergunta poderosa que pode revelar pequenas fontes de alegria compartilhada que vão nutrir a relação. Tem pessoas que gostam de jogos, outras de ver filmes, outras de conversar sobre livros, outras de cozinhar juntas. Investigar com as pessoas com que nos relacionamos como podemos viver momentos de prazer que irão nutrir a relação é uma das formas de sustentá-la nos momentos desafiadores.


Uma outra virada de chave importante pra mim é refletir: você está realmente interessada no outro? Quando estamos com outras pessoas, muitas vezes não estamos de fato lá - inteiras e presentes. Somos fisgados pelos nossos celulares, ou pelos nossos próprios problemas e não desviamos nossa atenção para a pessoa que supostamente queremos nos conectar.


Para nutrir a relação precisamos conscientemente escolher colocar nossa atenção em algo para além de nós mesmos. O que você pensa? O que você está sentindo? Como foi seu dia? Perguntas simples e poderosas para se deslocar em direção ao outro.


5. Ficar amiga das emoções


O nosso dicionário emocional é absurdamente raso, e temos uma consciência reduzida sobre os nossos gatilhos emocionais. Após alguns anos tentando criar uma amizade com as emoções, eu consigo cada vez mais ser uma observadora do fluxo das emoções que passam por mim quando algo me afeta - raiva, tristeza, preocupação, medo, orgulho.


Nas últimas semanas eu e a Marina Galvão estamos fazendo um teste interessante na nossa dinâmica de trabalho juntas. Criamos uma espécie de diário para observar como nos sentimos em relação a um acordo novo que criamos. Foi interessante notar como esse artefato me ajudou a não só ficar bem atenta a todo o fluxo das emoções que sinto, como nomear e externalizar de forma mais transparente esse grande espectro de emoções.


Esse exercício me mostrou como uma mesma situação me desperta emoções que a primeira vista não estariam juntas, e todo esse exercício ressaltou a minha responsabilidade pelo que acontece dentro de mim.


Percebendo o fluxo das emoções, eu também aprendi que assim como elas vem, elas também passam. Por isso agora sinto que posso esperar e não reagir tomada por elas, e também a não esperar uma suposta coerência de algo tão flutuante como nossas emoções.


6. Enxergar o outro


Nós, especialmente mulheres, estamos muito acostumadas a perseguir uma suposta perfeição. É como se para sermos amadas, precisássemos ser perfeitas e todos esses vieses nos levam a um fluxo de vergonha e baixa auto aceitação que nos afasta de quem a gente realmente é.


O mesmo ciclo de não aceitação acontece na nossa relação com o outro - quando projetamos pessoas perfeitas que caibam nas caixinhas que idealizamos. Isso vale desde relações amorosas, até vagas de emprego. E como as pessoas nunca se encaixam em ideais, estamos o tempo todo dilacerando pedaços do outro - como se caber em ideais fabricados fosse possível.


Mas a gente não precisa mudar o outro, a gente só pr