Simatesia || O que é aprender em simatesia?



O texto abaixo foi construído com alguns trechos do capítulo Symmathesy do livro "SMALL ARCS OF LARGER CIRCLE" escrito por Nora Bateson. Tradução livre feita por Marcelle Xavier e Marina Galvão.



Parte I

Proposição


Gostaria de propor uma nova palavra para “sistema” que se refira especificamente a sistemas vivos - isto é, para sistemas que emergem de comunicações e interações. A nova palavra e conceito que proponho destaca a expressão e a comunicação da interdependência e, particularmente, a aprendizagem mútua.


A palavra existente, ‘sistema’, embora útil em muitos casos, não sugere os campos contextuais da aprendizagem simultânea que são necessários para a vida. Aprendemos que, ao lidar com sistemas vivos, os parâmetros mecanicistas não podem conter as muitas variáveis de interação que se desenvolvem. Assim, a inclusão da aprendizagem mútua na terminologia destina-se especificamente a mover nossa descrição além dos modelos de engenharia e dos mecanismos que estão implícitos em muitas teorias de sistemas.


A noção de sistemas como um arranjo de partes e totalidades se tornou uma distração da nova visão sistêmica, que descrevi neste livro e que vê a vida como contextos relacionais e de aprendizado mútuo. Como os estudos, que vão da ciência cognitiva à epigenética, ciências sociais, ecologia e teoria evolucionária, estão cada vez mais mostrando, a evolução emerge na inter-relacionalidade, não no arranjo. Portanto, devemos diferenciar sistemas vivos e outros sistemas.


A biologia, a cultura e a sociedade dependem em todos os níveis da vitalidade da interação que produzem interna e externamente. Um corpo, uma família, uma floresta ou uma cidade podem ser descritos como uma colmeia vibrante de comunicação entre e dentro de suas “partes” vivas e interativas. Uma selva pode ser melhor compreendida como uma conversa entre sua flora e fauna, incluindo os insetos, os fungos da decomposição e o contato com a humanidade.


A interação é o que cria e vitaliza a integridade do mundo vivo. Ao longo do tempo, a sobrevivência dos organismos em seus ambientes exige que haja aprendizado e aprendizado para aprender, juntos.


Gregory Bateson disse: “A evolução está no contexto”. Então, por que não temos uma palavra para esses corpos, famílias, florestas e outras colmeias vibrantes de comunicação – e para o aprendizado mútuo que ocorre nesses contextos de vida?


Com isso em mente, combinei as palavras gregas syn/sym (juntos) e mathesi (aprender), para criar symmatesy (aprender juntos). Uma definição funcional de symmatesy pode ser assim:


Symmathesy (substantivo): (pronuncia-se: sym-math-a-see)


  1. uma entidade formada ao longo do tempo pela aprendizagem mútua contextual através da interação. Por exemplo, um ecossistema em qualquer escala, como um corpo, uma família ou uma floresta, é uma simatesia

  2. o processo de aprendizagem mútua contextual através da interação. Symmathesize (verbo, intrans.): gerar aprendizagem mútua contextual através do processo de interação entre múltiplas variáveis em uma entidade viva.


A interdependência é vital para a saúde de qualquer sistema. Mas, a interdependência não fica parada. Toda a evolução biológica, e desenvolvimento da cultura e da sociedade, parecem ser um testemunho das características das mudanças contextuais e multifacetadas ao longo do tempo. Nada permanece igual, claramente. Estou sugerindo que a mudança, então, é um tipo de aprendizado.


Se uma entidade viva transforma algumas de suas inter relações, mesmo que levemente, essa mudança requer uma calibração dentro da qual a mudança é revelada.


O mesmo tipo de árvore na mesma floresta não cresce necessariamente para ter a mesma forma. Um pode ter ventos mais fortes para enfrentar, outro pode crescer com uma densidade mais espessa de flora ao seu redor. As árvores nesses contextos contrastantes vivem em seus contextos recebendo as muitas formas de informações relacionais pelas quais estão cercadas e das quais fazem parte, e respondendo a elas. Assim, eles crescem para ter formas diferentes, para metabolizar em níveis diferentes, e assim por diante.


Essa nova terminologia é um passo em direção a uma compreensão mais clara da maneira como descrevemos a diferença entre o que podemos ‘controlar’, ou seja, em termos materiais, e o que requer outra abordagem, ou seja, interagir com a complexidade dos sistemas vivos em evolução.


  • Qual é a diferença entre aprender e viver? Nenhuma.

  • Quando algo vivo não está aprendendo? Nunca


Contextos de Aprendizagem Mútua


É difícil, se não impossível, encontrar um assunto para estudar no mundo vivo que seja definível dentro de um único contexto. O International Bateson Institute foi fundado em 2014 com a missão de desenvolver um processo de investigação que começasse a levar em conta os muitos contextos dentro dos quais qualquer campo de estudo específico existe. A pesquisa transcontextual oferece várias descrições da maneira como um assunto está aninhado em muitos contextos.


Essas informações fornecem descrições de interações que parecem apagar os limites do que poderíamos ter considerado anteriormente como partes e totalidades. Como vimos, a medicina está entrelaçada com cultura, alimentação, condições ambientais, educação, estabilidade econômica e muito mais.


A economia é formada pela cultura, transporte, recursos, educação midiática, etc. Pesquisas feitas sem o estudo de múltiplos contextos tratam o assunto como se estivesse isolado das suas symmathesies, portanto, muitos dados não ficam visíveis.


Uma nação, ou uma instituição, pode ser vista ou estudada na esperança de revelar o modo como aprendeu a se estruturar nos contextos com os quais interage. Quando consideramos uma floresta, um casamento ou uma família, podemos ver que entidades vivas como essas requerem uma adição conceitual em sua descrição: aprendizado.


Se não partes e todo, de que é composta uma symmathesies?


Em um contexto humano, a noção de uma identidade que é total e verdadeiramente independente é impossível de esboçar. Nenhum de nós pode ser separado da língua, cultura, interação com a natureza, comida, ar, relações sociais, educação, relações familiares, história epigenética e assim por diante.


Embora seja tentador reivindicar o “eu” como um território, cada um de nós tem mais de 70 bilhões de organismos em nossos corpos, todos respondendo à temperatura, equilíbrio de açúcar, mudanças hormonais, mudanças emocionais e assim por diante.


A acumulação particular e os arranjos dessas influências são únicos dentro de cada um de nós, mas existimos sempre dentro de um conjunto maior de variáveis.


O que é então agência? Cada vez mais, os estudos estão revelando que as microbactérias em nossos intestinos têm uma influência maior do que o esperado em nossos desejos, tanto termos de alimentação quanto sociais. Humor, memória, cognição e saúde são indistinguíveis das relações contextuais. Isso não significa que não somos responsáveis ​​por nossas ações, significa que nossa responsabilidade se estende a contextos maiores do que a nossa própria pele.


O que desencadeia os recursos específicos para um irmão se tornar um ativista enquanto outro se torna um empresário? A maneira como interações contextuais e multicontextuais informam nossas respostas ao mundo ao nosso redor, poderia ser ser outra versão de vontade ou agência.


Talvez seja mais sobre o arranjo único em que cada pessoa aprende a viver. Propensões e aversões, aptidões e desafios formam uma estética de aprendizado e aprendizado mútuo que podemos chamar de 'caráter'.


Somos nosso caráter? Somos o que está na nossa pele? Nossa família? Nossa cultura? Nossa língua? Nossa dieta? Nosso sistema muscular? Nosso valor monetário? Onde estão as bordas e onde, na complexidade do eu, está nossa independência?


Como mencionei acima, há paradoxos aqui a serem observados. Talvez esses paradoxos não devam ser resolvidos, mas permitidos coexistir. Somos e não somos. Somos indivíduos, mas também não somos separáveis.


No exemplo do corpo humano, é habitual pensar em nossos órgãos como partes do todo, mas cada órgão está de fato contribuindo para uma interação contextual. A ‘função’ das ‘partes’ é indistinguível de sua interação (o ‘todo’) que está sempre aprendendo. Sua interação mútua, por sua vez, torna-se a viabilidade inerente da entidade em uma evolução contextual (aprendizagem).


Múltiplas Descrição e Interfaces

Descrevi anteriormente nossa pesquisa com o IBI (International Bateson Institute), onde nos envolvemos em um processo de investigação centrado na busca de dados relacionais, que chamamos de 'Warm Data'. descrição para ilustrar como as interações em sistemas complexos se interligam.


Essas descrições múltiplas aumentam nossa capacidade de levar em conta a integridade dos sistemas vivos de várias camadas, de pensar em “interações” dessas várias camadas e de responder em um nível contextual. Revelar os entrelaçamentos de sistemas complexos requer um método de pesquisa que possa abranger os muitos contextos em que o sistema constrói a interdependência. Como resultado, esses estudos também são transcontextuais.


A complexidade desse tipo de investigação é assustadora. Se quisermos estudar, por exemplo, a maneira como os alimentos impactam nossas vidas, um estudo multifacetado de ecologia, cultura, agricultura, economia, comunicação intergeracional, mídia e muito mais deve ser trazido para nossa pesquisa em uma ligação de interfaces que juntas fornecem um ponto de partida rigoroso a partir do qual podemos entender melhor o que está em nossas mãos. A partir dessa posição inicial, nossa investigação sobre distúrbios alimentares, pobreza, fome e os perigos dos OGMs pode ser abordada de outra maneira. Como esses contextos interagem entre si?



Parte III

O que é aprender em simatesia?


Uma vez que o termo simatesia se baseia na ideia de aprendizagem mútua, precisamos considerar cuidadosamente o que queremos dizer com "aprender". O que é aprendizagem?


As definições mais comuns de aprendizagem envolvem a aquisição de

conhecimento dentro de uma progressão de etapas relativas ao desenvolvimento físico ou intelectual. Em contraste, em nossa terminologia, o conceito de aprendizado foi “esticado” para incluir todo o mundo vivo como um contexto de aprendizagem - como uma simatesia (symmathesy) composta de “simateses” (symmathesies).


O aprendizado também foi estendido para incluir muito do que pensamos como adaptação e até mesmo hábito. É claro, o próprio mundo vivo é composto de mundos vivos. O aprendizado em simatesia são os processos perpétuos de posicionamento e reposicionamento, calibragem, mudança, “respondendo a respostas” dentro de contextos de múltiplas, interações simultâneas. Aqui, o termo "aprendizagem" está mais próximo de coevolução, embora eu hesite em aceitar as conotações de "melhoria" que a palavra evolução carrega. A aprendizagem em simatesia não implica em melhorar ou progredir. Da mesma forma, os termos "adaptação" e "co-adaptação'' sinalizam uma noção de encaixe, ou alteração, à medida que os organismos se ajustam uns aos outros.


Isto está mais próximo do aprendizado dentro da simatesia, mas ainda se difere pelo fato de que a interação entre eles, ao longo do tempo, é percebida aqui como aprendizagem mútua e contextual que continua e não "encaixa". Aqui estão algumas das características da aprendizagem em simatesia:


  1. Contextos:


O aprendizado em simatesia é contextual, mesmo na menor escala.

A interrelacionalidade dentro da qual qualquer ser vivo existe, apresenta contextos tanto de interações internas como externas.


Por exemplo, minha sobrevivência depende do funcionamento interno do meu corpo (o sistema nervoso, o digestivo, o circulatório etc.), da minha relação externa com o mundo biológico (ar, água, alimentos, etc.), e todas as outras interações em minha vida. Mas estes não são independentes um do outro.


As coisas “amorosas" ou "maldosas" que alguém te diz no café da manhã têm um efeito sobre a pressão arterial, sobre o processo digestivo e sobre a compreensão cognitiva (implícita ou explícita) de identidade dentro de uma cultura. O mesmo tipo de interdependência existe em uma floresta. Embora os pontos de recepção e transmissão de informações possam ser mais difíceis de atribuir, os processos necessários para a vida contínua da floresta são tecidas nos contextos das relações entre os microorganismos, a flora, a fauna, o clima, bem como as relações internas, processos de cada árvore, a extensão de suas raízes, o transporte de sua seiva, a fotossíntese em suas folhas, e assim por diante.


Em qualquer um destes exemplos, o organismo vivo deve se posicionar e reposicionar dentro de seu contexto de variáveis e inter-relações a fim de sobreviver. Além disso, a sociedade em eu vivo está localizada dentro de um campo maior e mutável de incontáveis variáveis, como é a floresta ao redor da árvore de que falamos. Os contextos são variáveis, estão aprendendo juntas.


2. Calibração:


O aprendizado em simatesia é um processo contínuo de calibração (ajuste preciso e contínuo) dentro de contextos de agregação e variáveis interrelacionais. Esta calibração não requer um envolvimento consciente. O aprendizado que qualquer ser vivo deve continuar internamente (para não se tornar obsoleto) é um processo de grande angularidade de recebimento e resposta às informações.


Esta informação é sentida como uma diferença e é recebida por múltiplas interações simultâneas. (Gregory Bateson se referiu a esta definição de informação como a "diferença que faz uma diferença").


A complexidade não se divide e, portanto, a vida requer calibração dentro de múltiplos fluxos de informação e interação. Para realizar uma tarefa simples, como caminhar por uma sala, uma calibragem espantosa precisa acontecer. (Se você estiver carregando sopa, é ainda mais difícil).


Da mesma forma, nossa árvore florestal registra a direção do vento e do sol, e o contexto da floresta em que ela vive. Estes influenciarão a árvore em todas as escalas, e seus efeitos serão até visíveis para nós em sua forma à medida que a árvore calibra o crescimento e a colocação de seus ramos, e os caminhos de suas raízes, por exemplo. O aprendizado é o processo ao qual estamos nos referindo aqui como calibração dentro das variáveis de interrelação.


3. Viés:


O viés da entidade calibradora em cada escala é a particular integração das múltiplas variáveis das informações inter-relacionadas que influenciam a entidade - a pessoa, o órgão, a árvore, a floresta, ou mesmo a cultura. O viés forma diferenças.


O viés pode ser pensado em termos de epistemologia" ou a "Umwelt" da simatesia. (Nos primórdios da Biosemiótica o termo "Umwelt" foi introduzido por Jakob von Uexküll como parte de uma teoria que propunha que cada organismo em um ambiente tem sua própria perspectiva. A perspectiva de uma simatesia particular oferece um esboço, uma interface e uma estética através da qual, filtra e enquadra, em uma base contínua, as informações que ela calibra).

Para simplificar, imagine que há uma tigela de mirtilos para uma mesa de amigos. É nosso hábito assumir que os mirtilos são mirtilos, que os valores nutricionais numéricos e receitas conhecidas para servir mirtilos são óbvios. No entanto, o viés de cada pessoa na mesa apresenta uma coleção de entendimentos e filtros através dos quais o os mirtilos são "conhecidos".


Para uma pessoa na mesa, os mirtilos podem ser um lembrete do verão, uma atividade familiar de colher as pequenas frutas azuis dos arbustos florestais na Escandinávia para uma torta, um lugar “socialmente doce”. Para outra, a fruta pode ser um ingrediente do smoothie para comer depois de um exercício físico, um símbolo de saúde, um super-alimento, uma virtude. Para outra pessoa na mesma mesa, o mirtilos podem ser um gatilho visceral da lembranças de um cheiro de torta de mirtilo sendo assada durante uma experiência traumática de ser estuprada por um parente.


Estas associações e entendimentos físicos e epistemológicos do mirtilo descrevem o viés informativo na percepção do espectador. Os valores nutricionais numéricos dos mirtilos são alterados por este viés. O sistema digestivo, o sistema nervoso, as estações do ano, a conversa em a tabela... tudo isso altera a forma como cada pessoa incorpora o mirtilos em seu almoço. Então, o que são mirtilos?


4. Processo “estocástico”:

Embora o aprendizado seja um processo de evolução, que existe dentro de padrões que parecem estáveis, os inputs aleatórios e as variáveis implícitas no campo de uma simatesia são imprevisíveis. Há um padrão e há também imprevisibilidade (o termo "estocástico" aqui se refere a essa imprevisibilidade). Há estrutura, e há processo.


Meus filhos, por exemplo, não nascem cachorros, eles são humanos e compartilham algumas características comigo; mas eles também não são nada parecidas comigo. Eles vivem em outro contexto. O paradoxo que esta combinação forma é inerente e insolúvel. A contingência para a vida e, portanto, o aprendizado é que o

entrelaçamentos de relação, comunicação e informação entre todos os vieses de uma simatesia são simultâneas. Tanto no padrão como no processo.

5. Brincadeiras:


Prática, repetição e experimentação na comunicação, e o comportamento nas bordas de um viés, são as fronteiras da aprendizagem, da evolução, e da mudança.


Os limites são 'jogados com” quando o gatinho brinca com com os outros gatinhos, descobrindo o processo, praticando a comunicação, e encontrando os limites do jogo. Brincar é a combinação de descoberta e oportunidade de materializar novas idéias.


Como diz Jeff Bloom, "aquisição de conhecimento” é realmente apenas um aprendizado de nível inferior, que foi elevado ao topo em nossa sociedade positivista/mecanicista/boxista/quantitativista. A aquisição de conhecimento é um subproduto de um aprendizado mais profundo". Ou seja, brincar é um processo de aprender a aprender. Pode se parecer com jogos, humor, arte, experimentação, discussão, esforço, reorganização e muito mais.


6. Limites:


Com o propósito de examinar as possibilidades de simatesia, os limites são as interfaces da aprendizagem. Ao discutir aprendizagem contextual, é de fato um desafio considerar o dilema de onde está a borda do contexto? Os limites podem ser vistos como o que me separa de você, ou nós de uma floresta, ou a floresta de uma escola - e estas são aparentemente reais e verdadeiras.


O fato de existir essa “separatividade” é o fato que garante vitalidade, mesmo na interação necessária para a vida. Um corpo precisa de um coração e pulmões e um sistema nervoso: a diferença entre eles é tão necessária quanto o unidade deles. Mas, deve ser notado que os limites desaparecem quando vistos de um ponto de vista mais amplo. Do ponto de vista da sociedade, o funcionamento do coração do indivíduo é eclipsado por padrões contextuais maiores.


Para esclarecer esta confusão, muitas vezes há o impulso de diagramar os contextos dentro dos contextos com um conjunto de círculos concêntricos. Mas tal diagrama, por mais tentador que seja ilustrá-lo desta forma, estará repleto de erros. Por quê? Porque os limites são as diferenças, as áreas de interação, as interfaces de comunicação que proporcionam o contato, a dependência e o viés do processo da ecologia. Eles não são estáticos. Os limites representam um paradoxo. Tal diagrama é um quadro de congelamento: falta-lhe tempo. A inclusão de tempo irá desfocar as linhas; os contextos são interativos e

aprendizagem.


7. Tempo:


Todos os organismos vivos, e o código de todos os organismos vivos, são revelados como existentes dentro de um contexto de aprendizagem mútua quando o tempo é levado em consideração. O tempo revela que a ordem não é estática.


Uma busca pela organização do processo da vida tem estado no centro das ciências naturais desde seu início. Por que estamos aqui? Para onde estamos indo? Como a evolução trabalha? Como as ciências naturais têm aumentado nossa capacidade de ver os menores detalhes de nosso mundo, o mapeamento da vida tornou-se possível de novas maneiras.


A descoberta do DNA, do genoma e das partículas que colidem, cada uma abriu amplos horizontes de possíveis novas pesquisas. Entretanto, com um impulso na direção da busca pelo aprendizado mútuo na vida, a organização das peças sai da linha de frente de nossos estudos e, no lugar dela, o estudo encontra informações localizadas em lugares mais profundos, revelados em como a interrelacionalidade se move através do tempo. Aprendendo juntos.


A comunicação, por exemplo, é frequentemente descrita como uma interação; um processo de sinalização e resposta entre partes de um sistema. O processo semiótico, nesta visão simplista - que não é típica do pensamento semiótico avançado -, é meramente transferência de informação. Mas acrescente tempo a esse processo e a interação se torna aprendizagem mútua.